NOTA DE REPÚDIO

NOTA DE REPÚDIO A Comissão de Direitos Humanos Gregório Bezerra,  Universidade Federal Rural de Pernambuco, vem registrar seu total repúdio aos discursos que celebraram a memória dos torturadores da Ditadura Civil-Militar de 1964, proferidos no ultimo domingo, 17 de abril de 2016, na Câmara Federal dos Deputados, no decorrer da votação do impedimento do mandato da Presidenta Dilma Rousseff. Vem ainda repudiar mais diretamente o Deputado Jair Messias Bolsonaro.

NOTA DE REPÚDIO
A Comissão de Direitos Humanos Gregório Bezerra, Universidade Federal Rural de Pernambuco, vem registrar seu total repúdio aos discursos que celebraram a memória dos torturadores da Ditadura Civil-Militar de 1964, proferidos no ultimo domingo, 17 de abril de 2016, na Câmara Federal dos Deputados, no decorrer da votação do impedimento do mandato da Presidenta Dilma Rousseff. Vem ainda repudiar mais diretamente o Deputado Jair Messias Bolsonaro, do Partido Social Cristão – PSC do Rio de Janeiro, que diretamente homenageou o Coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, reconhecido pela Comissão da Verdade e pelo Poder Judiciário como um dos maiores torturadores do Brasil.
A prática da tortura deve ser combatida e não celebrada. A homenagem pública ao torturador, no contexto do Estado Democrático de Direito, representa uma afronta à luta em defesa dos Direitos Humanos, que vem sendo historicamente construída durante décadas no Brasil. É uma afronta à cultura da paz e a cidadania, tornando-se uma prática que deve ser rechaçada de forma contundente.
A História do Brasil República nos ensina como a Ditadura Civil-Militar foi perversa no plano político e no cotidiano das pessoas comuns, pois, não admitia a liberdade de expressão, por perseguir, sequestrar, torturar e matar os grupos e indivíduos que se posicionavam contra o Estado de Exceção. Não podemos admitir nenhuma forma de apologia ao “pau de arara”, “choque elétrico”, “afogamento”, “pimentinha”, ou outras formas refinadas de tortura, física ou psicológica, praticadas contra homens e mulheres. Desse modo, homenagear torturador é legitimar a violência e o ódio.
Gregório Bezerra foi fortemente torturado e exposto em praça pública durante a ditadura. Em nome do nosso patrono, a Comissão de Direitos Humanos da UFRPE repudia e conclama a comunidade acadêmica a lutar contra a onda ameaçadora conservadora que se avança em nosso Brasil. Vivemos em tempos sombrios, em tempos de incertezas e só a luta em defesa da democracia e dos diretos humanos pode reverter o cenário de retrocesso.
Desse modo, Comissão reafirma: lutamos por “mais Gregórios” e “menos Bolsonaros”. Viva os trabalhadores rurais que se organizam pela reforma agrária! Viva o movimento estudantil! Viva as pessoas que lutam pela causa feminista e pela causa LGBTT! Viva os negros e as negras, os brancos e as brancas, que lutam contra o racismo e a discriminação étnico-racial! Viva os povos indígenas! Viva o movimento sindical comprometido com os trabalhadores! Viva o Movimento Nacional de Meninos e Meninas de Rua! Viva os movimentos sociais! Gregório Bezerra vive na luta daqueles que combatem a tortura e lutam por um Brasil justo, fraterno e democrático.

Recife, 22 de abril de 2016.

COMISSÃO DE DIREITOS HUMANOS GREGÓRIO BEZERRA

*Charge de Latuff

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